- Então
e agora? – Hiro ficou a ver o anão a sair determinado da estalagem.
- Agora
vamos ver como será o próximo guia. – Ivan olhou para o anúncio de Musharib. –
Kort, precisamos que tragas cá o Musharib, vamos ver se será este o guia certo.
Assentido,
saí de novo para a cidade em busca do próximo guia. Ao sair deparo-me com Hew à
minha espera fora da Thundering Lizard.
-
Caríssimo Anão! Peço imensa desculpa pela forma como saí, mas os seus
companheiros não me deram alternativa. Não ia ficar ali para ser insultado por
aquela gente que duvida de tudo.
-
Compreendo meu caro companheiro. Mas creio que já percebeu que me juntei
recentemente à companhia e por isso ainda não tenho muito poder de decisão
junto deles.
-
Claro que compreendo Senhor Kort. – Hew acendeu o cachimbo e caminhou junto a
mim. – Calculo que agora vá convocar outro guia depois desta minha saída
dramática?
-
É isso mesmo Senhor Hew. Vou agora mesmo buscar Musharib.
-
Ah! Esse verme pálido! – Hew cuspiu resignado para o chão. – Ele pode ser um
anão, mas não é boa peça. Disso lhe garanto! Mas se são essas as suas intenções
e as da sua companhia quem sou eu para me intrometer nelas?
- São
maioritariamente decisões da companhia. Como lhe disse ainda não tenho voz nas
decisões do grupo. No entanto, se tivesse a minha escolha já estaria feita.
-
E que quer isso dizer exatamente?
-
Quer dizer que não precisaria de ir agora chamar o Musharib.
-
Ah! – Hew agarrou-me fortemente pelo ombro com o braço enquanto apertava o
cachimbo entre os dentes. – Amigo anão! Eu vi logo quando olhei para si que
podia contar consigo. Vá lá então chamar o Musharib. Mas depois não se esqueça
de interceder por mim quando for altura de decidir. - e piscando um olho, Hew
abandonou-me de regresso à sua casa.
Continuei
o meu caminho. Percorrendo as ruas de Port Nyanzaru mais uma vez. Musharib é
até um dos guias da cidade mais fácil de localizar. O seu apetite pelo conforto
de uma fina taberna é famoso na cidade. É mais do que certo que o encontrarei
na Kaya’s House of Repose, a estalagem rival da Thundering Lizard. Com
comodidades maiores e preços ainda mais elevados.
Paro
em frente ao pomposo edifício de três andares. Inúmeras bandeirolas bordadas a
ouro ondulam nas fachadas, além disso à entrada somos recebidos por um discreto
halfling que em troca de algumas peças de ouro em avanço nos consegue garantir
certas comodidades na estalagem.
-Boa
tarde gentil anão! – o halfling ajeitou-se na alta cadeira que ocupava à
entrada. – O que o traz por cá?
-
Olá meu caro! – parei olhando para cima para o pequeno halfling no seu posto. –
Venho convocar Musharib para uma reunião. Sabe dizer-me se ele está por cá?
-
Está sim! – o halfling pulou para o chão. – Quer que o chame?
-
Claro que sim!
Passados
poucos instantes o halfling apareceu seguido por um pálido anão de barbas
brancas, as suas vestes decoradas com inúmeros ossos de dinossauro evidenciavam
os muitos encontros que este teria tido nas selvas de Chult.
-
Olá caro anão! – Musharib fez uma pequena vénia. – Sei que me convoca, mas
ainda não sei o seu nome.
-
Kortmorinn. Arqueólogo, cartógrafo e aventureiro. – bati com o punho no peito
enquanto me apresentava. – Faço parte de uma companhia de aventureiros e
procuramos um guia.
-
Bem meu caro. Parece-me que esta vai ser uma reunião produtiva! -Musharib falou
quase de si para si.
Encaminhei-me
para a Thundering Lizard seguido por Musharib que resmungava contra a falta de
classe do local para onde nos encaminhávamos.
-
Antes de entrarmos, diga-me uma coisa Senhor Kortmorinn. – Musharib sussurrou.
– Já se reuniram com mais algum guia?
-
Já sim. Hew Hackinstone esteve aqui antes de si.
-
Bem… - Musharib murmurou novamente algo entredentes enquanto afagava as
compridas barbas. – Vamos lá então?
Entramos
na estalagem onde o grupo continuava a beber e a comer. A pilha de canecas
vazias aumentava na mesa junto à nossa a olhos vistos. Hiro seguira o conselho
de Hew e deixara de lado o leite de dinossauro, estando agora a bebericar uma
cerveja.
-
Finalmente que chegaste Kort. Já estávamos fartos de esperar por ti! Por onde
andaste este tempo todo?
-
Creio que não demorei assim tanto tempo Hiro.
-
Olha que eu acho que sim. – o Aasimar estava claramente embriagado. – E então
quem é esse teu parente que trazes contigo?
-
O meu nome é Musharib e se não fui mal informado, foram os senhores que me
convocaram até aqui, solicitando que eu fosse o vosso guia na aventura que
pretendeis executar.
-
Foi? – Hiro sorveu mais um pouco de cerveja.
-
Foi sim Hiro. – Ivan interveio. -E para de beber cerveja, vê-se claramente que
não aguentas o álcool, nunca devias ter parado de beber leite de dinossauro. –
Ivan levantou-se no lugar. – Musharib, peço imensa desculpa pelo comportamento
do nosso companheiro. Claramente a bebida tolda-lhe os sentidos.
-
Compreendo totalmente! A emoção da aventura pede sempre mais uma cerveja e por
vezes passamos dos limites. – Musharib sentou-se – Há anos que não bebe álcool
por essas mesmas razões. Vamos então discutir os assuntos que me trouxeram a
esta má casa? Não faço intenções de aqui estar muito tempo.
-
Com certeza meu caro! – Ivan recostou-se na cadeira. – Necessitamos de um guia
que nos leve em segurança pelas selvas de Chult.
-
Certíssimo! Os meus honorários são de cinco peças de ouro por dia, pagas ao
nascer do sol.
-
Então e se nos perdermos? Vamos estar a pagar um dia para acabarmos por ir
parar a lado nenhum?
-
Compreendo as suas dúvidas, mas digo-vos já que isso é pouco provável de
acontecer. No entanto e já que me parece que tenciona discutir o meu trabalho,
digo-lhe já que não regateio preços ou faço qualquer tipo de negócios. Esses
tipos de esquemas não funcionam comigo. – Musharib puxou uma cadeira vaga para
junto de si. – E o caro Kortmorinn não se senta companheiro? Gostava muito de o
ouvir nesta discussão.
-
O Senhor Kortmorinn juntou-se recentemente à expedição. Lamento informar que
ainda não tem poder de decisão junto do nosso grupo.
Musharib
não respondeu a Ivan e ficou a olhar para mim fixamente com um olhar duvidoso.
-
É como o Senhor Ivan diz. – retorqui e afastando-me da mesa saí da estalagem.
No entanto, a fim de matar a curiosidade, aproximei-me da janela que ficava
junto à nossa mesa, podendo assim escutar o desenrolar da discussão.
-
Inaceitável! Essa decisão é um ultraje. Não posso permitir que tal coisa
aconteça. – a voz de Musharib exaltava-se contra os argumentos de Ivan. – Não
irei permitir que anão algum seja maltratado na minha presença. Aliás recuso-me
a trabalhar para os senhores enquanto o Mestre Kortmorinn não tiver voz nesta
companhia.
-
Como já lhe expliquei Musharib. O Mestre Kortmorinn só se juntou ontem a nós.
Como tal, ainda terá de nos provar que é de confiança antes sequer de poder
ganhar voz para decidir alguma coisa entre nós.
-
Vocês deviam estar gratos por terem a oportunidade de ter um anão na vossa
companhia. Não há melhor companheiro que um anão.
-
Pode argumentar o que quiser Musharib. A nossa decisão é final. Agora se fizer
o favor, quando sair, diga ao Kortmorinn para entrar pois preciso de falar com
ele.
1st Mirtul, 4.00pm
Depois
de Musharib sair. Eu e Ivan trocamos algumas palavras no interior da taberna,
ainda que ainda sem voz decisiva, foi tida a minha opinião relativamente aos
guias em conta. Acabei por sair novamente com o objetivo de trazer Hew
Hackinstone para reunir novamente com o grupo. Assim que chegámos novamente à
estalagem, Ivan levantou-se e recebeu o guia com renovada cordialidade.
-
Caro amigo. Foi-se embora sem que tivéssemos a oportunidade de perguntar sequer
metade do que queríamos saber e nem chegámos a negociar.
Hew
olhou para aquele alto homem, perscrutando o fundo dos seus olhos.
-
Têm razão. Não fui correto nesta negociação. -Hew sentou-se junto a Ivan e
agarrou novamente uma caneca com cerveja. – Que mais precisam de saber?
-
Pergunta prática. Digamos que estamos perdidos no meio da selva, de que forma
nos poderá orientar e que técnicas utilizaria para encontrarmos o caminho de
volta?
-
Primeiro que tudo. Se fosse eu, o vosso guia, nunca nos perderíamos! Segundo,
as técnicas e segredos de orientação são propriedade do guia e por isso em nada
desse tema vos posso adiantar de momento.
-
Ótimo ponto de vista Hew!
-
Já agora… - Hew recostou-se na cadeira. – Posso agora, eu fazer-vos uma
pergunta?
-
Claro que sim meu caro.
-
Que assuntos levam os senhores às selvas de Chult?
-
Isso meu caro. É uma pergunta que só poderemos responder ao nosso guia.
-
Então parece que está decidido! Eu vou guiar-vos pelas selvas de Chult.
-
Poderá ser que assim seja. Mas ainda temos de discutir a problemática dos
preços.
-
Bem! Como tiveram acesso ao anúncio sabem já à partida os valores que cobro, no
entanto tenho uma proposta para vos fazer.
-
Muito bem! – Ivan olhou o guia com curiosidade. – Estamos a ouvi-lo.
-
Para começar, não irei cobrar nenhum honorário em avanço. Mantenho o meu preço
de cinco peças de ouro por dia, mas estas ser-me-ão apenas pagas ao final de
três dez-dias. No entanto, se os nossos caminhos se cruzarem com Tinder e se me
ajudarem a vingar o meu grupo e o meu braço. Terão a minha eterna gratidão e
com ela a isenção de qualquer pagamento devido. Além disso, devolverei qualquer
pagamento feito até então.
Ivan
olhou demoradamente o anão. Do local onde assistia à reunião pude ver um
sorriso a formar-se ao canto da boca do humano.
-
Meu caro. – Ivan esticou a mão. – Considere-se o guia deste grupo.
-
Ah! Muito Obrigado! – Hew apertou firmemente a mão de Ivan e após isso e quanto
se levantava deu algumas pancadas a Hiro e Ahoy que dormiam sobre a mesa. – Não
se vão arrepender da vossa escolha. Espero-vos daqui a dois dias no junto a
Dinosaur Pens ao nascer do sol. Têm o dia de amanhã para se prepararem. Sugiro
que comprem mantimentos e repelente, muito repelente.
-
Assim faremos. – X quebrou finalmente o silêncio, levantou-se e começou a subir
as escadas em direção ao seu quarto.
Hew
dirigiu-se à saída e mesmo antes de sair, segurando a porta com o seu único
braço, passou os olhos por todos nós, voltando a repetir. – Não se vão
arrepender! – e deixando a porta bater, saiu da taberna a trautear uma melodia
enquanto um novo brilho se acendia no seu olhar.

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