Parto da Thundering Lizard
enquanto analiso mentalmente a proposta que me foi feita. Não é uma boa
proposta. No entanto cumpre as minhas necessidades para já. Terei auxílio na
selva e mais do que isso poderei até descobrir a cidade anã perdida. Poderei
talvez negociar a minha participação na divisão dos espólios durante a
expedição.
O grupo
encarregou-me de procurar e trazer até eles, guias autorizados pelo Jobal.
Sucede que depois de alguma negociação e discussão foi acordado que os melhores
candidatos seriam Hew Hackinstone ou Musharib, dois grandes anões desta terra.
Fabulosos guerreiros e conhecedores dos perigos da selva. Além disso consta
também que realizaram grandes feitos, quase heroicos.
Não sei
quais os critérios que o grupo terá em conta para escolher o guia, mas também
serão um pouco indiferentes, visto as duas possíveis escolhas serem dois
grandes representantes da raça anã.
Percorro
rapidamente as ruas que me levam ao meu destino. Hew Hackinstone reside no
pacato bairro junto ao porto, logo acima do grande Coliseu. Agora que olho para
esta construção, ainda me parece mais imponente. Este monumento dedicado às
corridas de dinossauros tem a capacidade para albergar centenas de espetadores
e apoiantes das mesmas. Na sua construção, além das inúmeras referências e
decorações alusivas aos dinossauros e aos seus corredores, existem também
algumas pinturas quase apagadas que contam histórias sobre lutadores. Há
relatos que dizem que há muito tempo o coliseu era utilizado para grandes
eventos de luta. Diz-se que antes da modalidade de gladiador ser proibida em
Chult, havia torneios que duravam dias e que muitas envolviam a luta contra
dinossauros e outras bestas.
Paro
por fim em frente a uma tosta e torta porta de madeira, a casa de Hew é
bastante conhecida no bairro, pois o letreiro afixado por cima da arcada faz
anunciar “O Melhor Guia de Chult”. Parece-me que foi mesmo uma boa seleção. Se
é o melhor guia de Chult, provavelmente não teremos de procurar mais. Bato
audivelmente à porta e esta é-me aberta por um anão de porte ligeiramente maior
que o meu. Barbas loiras já com alguns vestígios de pelo grisalho caem-lhe pela
face enquanto descem até ao peito com uma trança ao centro adornada com um
pequeno anel de metal.
- Hew
Hackinstone ao seu serviço! – o anfitrião saúda-me audivelmente enquanto bate
três vezes com a mão fechada sobre o peito, como é costume na tradição anã o
cumprimento entre membros da nossa raça. -
Em que posso ajudá-lo amigo?
- Caro
amigo anão, o meu nome é Kortmorinn e faço parte de um grupo de aventureiros
que procuramos um guia que nos leve pelas selvas de Chult.
- Ah!
Então vieram ao sítio certo! – Hew colocou a cabeça fora da porta. – E onde
estão esses seus companheiros?
- Estão
na Thundering Lizard. Estamos lá hospedados e por lá temos estado a conviver e
a beber. Vim convocá-lo para que se reúna connosco e possamos assim discutir as
possibilidades de nos guiar.
- Beber
e comer na Thundering Lizard? – Hew rapidamente pegou no seu machado que
colocou ao cinto. – Não há melhor forma de discutir negócios meu caro, lá isso
é verdade. – fechando a porta, o possante anão acompanhou-me de volta à
estalagem.
O
caminho foi percorrido rapidamente. A promessa de comida e bebida incentivou o
passo do meu parente anão. Quando chegámos à estalagem, o grupo continuava a
conferenciar, enquanto reavaliavam os dois descritivos dos guias, tendo o
cuidado de apenas deixarem visível o anúncio de Hew quando nos aproximámos.
- Foi
aqui que convocaram o melhor guia de Chult?
- O
melhor? – Hew recostou-se na cadeira. – Acho que apenas dizê-lo não o faz ser
verdade.
- É
verdade sim. - intervim prontamente, não podendo deixar de defender a honra da
causa e da raça anã.
-
HaHaHa! – Hew sentou-se enquanto dava uma enorme gargalhada. – Ah! A juventude
de hoje em dia e a sua falta de paciência. – Hew examinou algumas das canecas
pousadas na mesa. – Alguém me pode dizer onde está a minha cerveja?
- A sua
cerveja chegará assim que concluirmos a nossa negociação.
-
Amigo! – Hew aproximou-se de Hiro. – Não há negociação, enquanto não houver
cerveja, e digo-lhe mais, essa porcaria de leite dinossauro que está a beber só
lhe faz mal. Se soubesse como é feito, prontamente largaria o vicio de beber
tal coisa.
- Vá!
Tragam lá mais uma rodada! – Ahoy acenou a Leya, a franzina empregada de
balcão. – Amigo, enquanto a sua bebida não chega, pode terminar a minha
cerveja.
- Bem,
já vi que pelo menos os nativos desta ilha são capazes de se dar ao respeito.
- Como
sabe que sou daqui? Conhece os meus pais? Sabe onde estão? – o Goliath estava
já visivelmente embriagado, e depois desta estranha indagação, deixou a cabeça
cair sobre a mesa e adormeceu no lugar.
- Ehh
lá! Este companheiro não aguenta muito bem a bebida rapazes! – Hew pegou o
resto da cerveja de Ahoy. – Com meia caneca fica logo assim.
- Ah!
Mas ele não bebeu só meia caneca. – Ivan apontou com o queixo para a mesa do
lado, cujo tampo já mal se via, tapado com canecas, jarros e dois pequenos
barris vazios. – Obrigado Kort! – Ivan entregou-me finalmente a bolsa de moeda
que estava por fim, infelizmente vazia, a minha cara de espanto era visível a
todo o grupo.
-Amigo,
parece-me que pagou deveras muita bebida ao seu companheiro. – Hew ria-se
divertido. – E parece que afinal o tipo até se aguenta bem melhor que eu até.
A
cerveja chegou finalmente à mesa. Hew virou a sua caneca de um trago e pegou na
caneca do adormecido Ahoy, tratando então de a beber tranquilamente.
- Vamos
então negociar? Vejo que já têm o meu anúncio, por isso digam-me que mais
precisam de esclarecer?
-
Primeiro que tudo caro anão, queremos saber o que lhe aconteceu ao braço.
- O
braço? Ah! Sim! - Hew tocou no coto que lhe restava do braço esquerdo. - É uma
longa história meus caros, mas resumindo, o meu braço foi comido por Tinder, o
maior dragão vermelho que existe em Chult. O dragão domina tanto selva como
montanha. Um dia hei de regressar ao seu covil para me vingar desta perda e
pela morte dos meus companheiros.
- Quer
dizer que o caro Hew lutou contra um dragão? - Hiro questionou o nosso guia
demonstrando algumas dúvidas sobre a história que ouvira.
-
Lutei, e trago comigo todos os dias a prova dessa batalha e dessa derrota.
- Muito
bem! Digamos que acredito em si. Como nos pode um anão com um braço a menos
valer no meio desta selva?

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