V - Perseguição, Interrogatório e Libertação

 

Greengrass, 5.00pm

Hiro mantém-se na fila para conseguir o famoso manual de monstros do Volo, cabe dizer que a fila tem um tamanho considerável chegando a esta altura a sair da estalagem e parece-me que continua a aumentar. Enquanto isso continuamos à mesa a degustar a bela cerveja que nos continua a ser servida às minhas custas.

- O que me dizem a mais uma rodada? - X pega na minha bolsa de moedas que se mantém em cima da mesa e parte em direção ao balcão.

Depois de pedir e pagar mais uma rodada de bebida, X avança pelo meio da multidão, caminhando com cuidado para evitar derramar o precioso líquido que transporta nas canecas. Nisto, de um momento para o outro, X vacila o passo, deixa cair todas as canecas, enfurecendo a multidão que fica encharcada e caindo sobre um joelho leva as mãos ao flanco num esgar de dor, onde encontra uma faca cravada na sua carne. Levanta-se com esforço e vê o seu atacante a correr alucinado em direção da porta.

Ao ver isto, todos nos levantamos e, após um breve momento de silêncio, lamentando toda a bebida desperdiçada partimos em perseguição do atacante de X, que aturdido parte atrás de nós, com uma mão no flanco onde mantém pressão na zona ferida.

O atacante sai a correr da estalagem, Ahoy que estava mais perto segue na dianteira no enlaço do homem, eu sigo logo atrás do Goliath e Ivan fica ligeiramente para trás enquanto ajuda X que embora ferido e combalido recusa prontamente qualquer tipo de ajuda. Entre a respiração entrecortada pela corrida ainda consigo ouvir atrás de mim um comentário de Ivan.

- Pobre e mal-agradecido. - e deixando X novamente desamparado continua a correr passando por mim.

Percorremos a cidade entre becos e estreitas ruelas enquanto o homem continua a correr assustado à nossa frente. O cansaço começa a instalar-se e conseguimos ver que o estranho homem fica cada vez mais exausto. Desorientando-se no rumo a tomar, o atacante acaba por seguir em direção ao Grande Souk.

Encurralamo-lo por fim junto ao portão da cidade velha. O Ahoy agarrou-o quando este virou por engano para um beco e procurava uma saída. X chegou logo de seguida e amarrou-o com uma corda que apanhou no Bazar. Parece-me que este tipo é mais resistente do que parece. Depois de ter sido esfaqueado e de toda esta corrida, ainda apresenta uma reserva de forças que vai usar para interrogar o seu atacante.

- Desculpa! Desculpa! - o homem começou num pranto à nossa frente. - Eu não queria fazer isto, mas eles ameaçaram a minha família.

- Eles quem homem? - Ahoy sacudiu-o. - Fala!

- Eles querem-te morto. Disseram-me que se não fizesse este trabalho que os matavam, eu tinha de o fazer. - o homem falava dirigindo-se somente a X. - Vê no meu bolso! Vais ver que não te estou a mentir. Por favor não me mates!

- Isso é o que vamos ver. - X aproximou-se do homem e após um forte soco que o atordoou, começou a revista. O homem carregava poucos pertences e após ter vazado praticamente todos os bolsos, X encontrou algo.

X abriu uma pequena carta com várias dobras, e ao ver o seu conteúdo, os olhos do Elfo tremeram. A bem dizer toda a face dele deverá ter tremido, mas com a máscara que teima em usar, mesmo no calor mais abrasador, só lhe vejo os olhos.

- Quem te entregou isto? - X colou a carta aos olhos do seu atacante.

- Não sei. Não sei mesmo. - o homem caiu de joelhos. - Lê e vais saber tudo o que sei... Por favor não me faças mal. Pelos meus filhos. Pelos meus meninos... Por favor...

X pegou na carta e leu-a em voz alta para que todos ouvíssemos:

 

"Caravol tu não nos conheces, mas nós conhecemos-te e bem. Os teus esquemas na loja têm de parar, enganas pessoas boas, pessoas que nada têm e que te dão tudo para poderem sobreviver. Isto acaba hoje!

Hoje foste recebido de braços abertos pela tua família, mas tudo isso pode mudar de um momento para o outro. Por isso aproveita bem todos os instantes que tens com eles. Não sabes quando pode ser o último.

Há um trabalho que necessitamos que cumpras.

No bolsa junto a esta carta encontram-se várias coisas entre as quais um punhal com o qual deves matar um certo elemento de uma companhia de aventureiros que acabou de chegar a Chult. O seu nome é X e consta que está hospedado na Thundering Lizard. Agora vai. Sê célere e cumpre a tua missão, tens até ao nascer do sol de amanhã, isto, se quiseres que a tua família te continue a receber nos seus braços todos os dias, tal como aconteceu hoje.

Kelegor"

 

X sentou-se relendo e relendo para si a carta vezes sem conta. Na sua mente muitos pensamentos ter-se-ão certamente formado, mas não partilhou nenhum deles connosco. Por fim levantou-se e acercou-se do homem com o punhal, com o qual lhe destinaram a vida, em riste.

- Regressa à tua família. Tira-os daqui. Salva-os. - X cortou a corta que prendia o seu atacante e deixando cair a carta ao chão voltou costas ao homem que corria para longe de nós.

Quando a carta caiu ao chão consegui ver nela um símbolo que me chamou à atenção, perto da assinatura, era possível ver um selo de lacre com de uma cabeça de triceratops.

X lançou uma pequena moeda ao ar que retinia enquanto rodava em pleno voo. – Parece que alguém não está contente com a minha vinda para este sítio. – o Elfo falou quase para si mesmo.

X acabou por guardar a moeda e iniciou a caminhada de regresso à estalagem quando percebeu que o olhávamos curiosos.

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