Hiro mantém-se na fila para conseguir o famoso manual de
monstros do Volo, cabe dizer que a fila tem um tamanho considerável chegando a
esta altura a sair da estalagem e parece-me que continua a aumentar. Enquanto
isso continuamos à mesa a degustar a bela cerveja que nos continua a ser
servida às minhas custas.
- O que me dizem a mais uma rodada? - X pega na minha bolsa de
moedas que se mantém em cima da mesa e parte em direção ao balcão.
Depois de pedir e pagar mais uma rodada de bebida, X avança
pelo meio da multidão, caminhando com cuidado para evitar derramar o precioso
líquido que transporta nas canecas. Nisto, de um momento para o outro, X vacila
o passo, deixa cair todas as canecas, enfurecendo a multidão que fica
encharcada e caindo sobre um joelho leva as mãos ao flanco num esgar de dor,
onde encontra uma faca cravada na sua carne. Levanta-se com esforço e vê o seu
atacante a correr alucinado em direção da porta.
Ao ver isto, todos nos levantamos e, após um breve momento de
silêncio, lamentando toda a bebida desperdiçada partimos em perseguição do
atacante de X, que aturdido parte atrás de nós, com uma mão no flanco onde
mantém pressão na zona ferida.
O atacante sai a correr da estalagem, Ahoy que estava mais
perto segue na dianteira no enlaço do homem, eu sigo logo atrás do Goliath e
Ivan fica ligeiramente para trás enquanto ajuda X que embora ferido e combalido
recusa prontamente qualquer tipo de ajuda. Entre a respiração entrecortada pela
corrida ainda consigo ouvir atrás de mim um comentário de Ivan.
- Pobre e mal-agradecido. - e deixando X novamente desamparado
continua a correr passando por mim.
Percorremos a cidade entre becos e estreitas ruelas enquanto o
homem continua a correr assustado à nossa frente. O cansaço começa a
instalar-se e conseguimos ver que o estranho homem fica cada vez mais exausto.
Desorientando-se no rumo a tomar, o atacante acaba por seguir em direção ao
Grande Souk.
Encurralamo-lo por fim junto ao portão da cidade velha. O Ahoy
agarrou-o quando este virou por engano para um beco e procurava uma saída. X
chegou logo de seguida e amarrou-o com uma corda que apanhou no Bazar.
Parece-me que este tipo é mais resistente do que parece. Depois de ter sido
esfaqueado e de toda esta corrida, ainda apresenta uma reserva de forças que
vai usar para interrogar o seu atacante.
- Desculpa! Desculpa! - o homem começou num pranto à nossa
frente. - Eu não queria fazer isto, mas eles ameaçaram a minha família.
- Eles quem homem? - Ahoy sacudiu-o. - Fala!
- Eles querem-te morto. Disseram-me que se não fizesse este
trabalho que os matavam, eu tinha de o fazer. - o homem falava dirigindo-se
somente a X. - Vê no meu bolso! Vais ver que não te estou a mentir. Por favor
não me mates!
- Isso é o que vamos ver. - X aproximou-se do homem e após um
forte soco que o atordoou, começou a revista. O homem carregava poucos
pertences e após ter vazado praticamente todos os bolsos, X encontrou algo.
X abriu uma pequena carta com várias dobras, e ao ver o seu
conteúdo, os olhos do Elfo tremeram. A bem dizer toda a face dele deverá ter
tremido, mas com a máscara que teima em usar, mesmo no calor mais abrasador, só
lhe vejo os olhos.
- Quem te entregou isto? - X colou a carta aos olhos do seu
atacante.
- Não sei. Não sei mesmo. - o homem caiu de joelhos. - Lê e
vais saber tudo o que sei... Por favor não me faças mal. Pelos meus filhos.
Pelos meus meninos... Por favor...
X pegou na carta e leu-a em voz alta para que todos
ouvíssemos:
"Caravol tu
não nos conheces, mas nós conhecemos-te e bem. Os teus esquemas na loja têm de
parar, enganas pessoas boas, pessoas que nada têm e que te dão tudo para
poderem sobreviver. Isto acaba hoje!
Hoje foste
recebido de braços abertos pela tua família, mas tudo isso pode mudar de um
momento para o outro. Por isso aproveita bem todos os instantes que tens com
eles. Não sabes quando pode ser o último.
Há um trabalho
que necessitamos que cumpras.
No bolsa junto a
esta carta encontram-se várias coisas entre as quais um punhal com o qual deves
matar um certo elemento de uma companhia de aventureiros que acabou de chegar a
Chult. O seu nome é X e consta que está hospedado na Thundering Lizard. Agora
vai. Sê célere e cumpre a tua missão, tens até ao nascer do sol de amanhã,
isto, se quiseres que a tua família te continue a receber nos seus braços todos
os dias, tal como aconteceu hoje.
Kelegor"
X sentou-se relendo e relendo para si a carta vezes sem conta.
Na sua mente muitos pensamentos ter-se-ão certamente formado, mas não partilhou
nenhum deles connosco. Por fim levantou-se e acercou-se do homem com o punhal,
com o qual lhe destinaram a vida, em riste.
- Regressa à tua família. Tira-os daqui. Salva-os. - X cortou
a corta que prendia o seu atacante e deixando cair a carta ao chão voltou
costas ao homem que corria para longe de nós.
Quando a carta caiu ao chão consegui ver nela um símbolo que
me chamou à atenção, perto da assinatura, era possível ver um selo de lacre com
de uma cabeça de triceratops.
X lançou uma pequena moeda ao ar que retinia enquanto rodava
em pleno voo. – Parece que alguém não está contente com a minha vinda para este
sítio. – o Elfo falou quase para si mesmo.
X acabou por guardar a moeda e iniciou a caminhada de regresso
à estalagem quando percebeu que o olhávamos curiosos.

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