Amanhã
começamos os preparativos para a aventura. Por agora o máximo que poderei fazer é tentar
descansar. No entanto toda esta emoção que sinto é difícil de controlar e
deixa-me demasiado agitado e num nível de ansiedade que não me deixa pregar
olho.
Estou
agitado, mas não como antes. Não. A ansiedade que sinto é diferente, não é
frustração, é apenas expectativa. Uma boa ansiedade se tal existir.
Fecho
novamente os olhos já vencido pelo cansaço e sou despertado por um forte
barulho no quarto ao lado.
2nd Mirtul, 7.00am
Hiro
é acordado pelos raios de sol que lhe embatem de frente nos olhos. Vira-se
tentando esconder-se da luminosidade de um novo dia a nascer mas não consegue
encontrar abrigo da forte e quente luz do dia que nasce. Abre por fim os olhos
e vê que o seu quarto está completamente diferente, mas olhando com atenção e
após um rápido pestanejar que lhe arranca todo o sono, vê-se no exterior da
estalagem, junto aos baldes do lixo e completamente nu.
-
Como raio vim aqui parar? Não me lembro absolutamente de nada.
Hiro
levanta-se e volta para a Thundering Lizard, levando as mãos em frente ao corpo
na esperança vã de tentar cobrir-se.
Enquanto
caminha de volta ao seu quarto reflete no sonho que teve durante a noite.
Neste, Hiro via-se perante um estreito e longo corredor, ao fundo, uma mulher
de cabelo loiro e uma face bastante bonita, estende-lhe a mão e grita-lhe por
ajuda. Um pedido mudo, Hiro nada ouve, mas sabe que tem de ajudá-la, que está
em perigo e que a sua morte está próxima. Hiro corre para ela, mas quanto mais
corre, mais longe lhe parece que está, continua a correr e a correr até que as
trevas que envolvem todo o corredor começam a aproximar-se cada vez mais da
mulher. Hiro grita, avisa-a da escuridão que se aproxima, mas a sua voz
desvanece-se no ar, Hiro continua a correr até que a escuridão abraça a mulher
e então nada mais existe a não ser o vazio. Um vazio tão grande e tão
silencioso que Hiro nem precisa de mais provas nenhumas para saber que aquele
vazio é a morte.
Hiro
passa pela área da taberna onde todos os seus companheiros já estão reunidos e
fazem planos para a preparação do dia de hoje e discutem o que cada um deve
comprar. Ao passar naquela área todos o olham surpreendidos, Ahoy que subia as
escadas para ir à sua procura, volta-se para trás e com um sorriso rasgado
deixa-o passar e volta a descer para ir comer.
2nd Mirtul, 4.00pm
A
manhã revelou-se uma autêntica correria, entre fazer efetivamente as compras
necessárias de material e equipamento para a viagem, intercaladas com o regateio
de preços com os comerciantes e algumas discussões entre nós sobre o melhor
material a comprar.
Após
terminarmos as compras e arrumarmos todo o equipamento e rações que compramos,
e já depois de uma grande refeição na Thundering Lizard partimos em direção ao
Templo de Savras.
Há
três dias quando o grupo chegou a Port Nyanzaru, e após a reunião com o
Merchant Prince Wakanga O’tamu, este indicou ao grupo que poderiam reunir com
Father Zitembe, o sacerdote do Templo de Savras ouvia inúmeros rumores e muitas
informações chegavam-lhe constantemente.
O
Templo de Savras surpreendia pela sua magnitude, o seu tamanho é considerável e
tornara-se um ponto de referência na cidade, além disso a sua representação faz
jus à divindade que representa.
Ao
chegarmos ao templo somos recebidos por um calvo homem, um acólito do Templo,
após uma breve introdução ao Templo e aos corretos preceitos no interior do
mesmo somos levados pela grande nave em direção a uma pequena sala colateral ao
grande altar do Templo. Ao chegarmos à pequena sala, após o toque de um pequeno
gongo somos recebidos por uma pequena assembleia de seguidores de Savras, que
ladeia um baixo homem com uma simples túnica branca.
-
Sentem-se caros amigos! – o homem faz um gesto com a mão apontado para algumas
almofadas dispostas pelo chão da pequena sala. – O meu nome é Father Zitembe.
-
Caro Father Zitembe. – Ivan falou. – O meu nome é Ivan, este é Kortmorinn,
Ahoy, Hiro, e… - e é nesse momento que nos apercebemos que X já não está
connosco, pensamos arduamente sobre o momento em que o nosso companheiro nos
terá deixado, mas não conseguimos perceber quando nos terá abandonado.
-
O vosso companheiro saiu para a cidade assim que chegaram à porta do Templo. Não
se preocupem, deve estar tudo bem com ele. – Zitembe fez um gesto
tranquilizador com a mão. – Mas digam-me meus caros, o que pode o Templo de
Savras fazer por vós?
-
Father Zitembe. Fomos incumbidos de uma pertinente missão aqui em Chult. – Hiro
olhou em redor para os acólitos ali presentes mostrando alguma desconfiança.
-
Podeis falar à vontade Sr. Hiro. Todos os meus acólitos são da minha inteira
confiança.
-
Syndra Silvane enviou-nos para a península para descobrirmos a origem de um
grande mal. A Maldição da Morte. Foi-nos pedido que quebrássemos a maldição e
que destruíssemos o artefacto que a criou. Um artefacto que dá pelo nome de
Soulmonger.
-
É uma missão deveras nobre e para a qual muitas almas já foram perdidas e que
muitas mortes se somam cada vez mais em busca do seu sucesso. Espero que
semelhante fim não vos alcance.
-
Esperamos o mesmo Father Zitembe. – enquanto escuto o que o grupo tem a dizer,
vou apontando no meu diário estas novas informações sobre a missão que trouxe a
minha companhia a Chult.
-
No entanto, precisam de saber mais é isso?
-
É sim!
-
Muito bem! – Father Zitembe fez um gesto a um dos acólitos que se aproximou do
sacerdote e após umas breves palavras sussurradas acercou-se de um pequeno
armário de onde tirou um simples e largo disco metálico.
O
disco foi pousado sobre uma pequena almofada diante de Zitembe. Dentro do disco
foi derramada alguma água e após algumas palavras do sacerdote numa linguagem
por mim desconhecida, a água no disco começou a tremer, quase parecendo que se
formavam imagens sobre a mesma. Zitembe aproximou-se da mesma e após olhar para
as mesmas, os seus olhos rolaram para trás dentro do crânio e o sacerdote caiu
para trás desamparado.

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