IX - Aprovisionamento e Preparação

2nd Mirtul, 2.00am

Amanhã começamos os preparativos para a aventura. Por agora  o máximo que poderei fazer é tentar descansar. No entanto toda esta emoção que sinto é difícil de controlar e deixa-me demasiado agitado e num nível de ansiedade que não me deixa pregar olho.

Estou agitado, mas não como antes. Não. A ansiedade que sinto é diferente, não é frustração, é apenas expectativa. Uma boa ansiedade se tal existir.

Fecho novamente os olhos já vencido pelo cansaço e sou despertado por um forte barulho no quarto ao lado.

 

2nd Mirtul, 7.00am

Hiro é acordado pelos raios de sol que lhe embatem de frente nos olhos. Vira-se tentando esconder-se da luminosidade de um novo dia a nascer mas não consegue encontrar abrigo da forte e quente luz do dia que nasce. Abre por fim os olhos e vê que o seu quarto está completamente diferente, mas olhando com atenção e após um rápido pestanejar que lhe arranca todo o sono, vê-se no exterior da estalagem, junto aos baldes do lixo e completamente nu.

- Como raio vim aqui parar? Não me lembro absolutamente de nada.

Hiro levanta-se e volta para a Thundering Lizard, levando as mãos em frente ao corpo na esperança vã de tentar cobrir-se.

Enquanto caminha de volta ao seu quarto reflete no sonho que teve durante a noite. Neste, Hiro via-se perante um estreito e longo corredor, ao fundo, uma mulher de cabelo loiro e uma face bastante bonita, estende-lhe a mão e grita-lhe por ajuda. Um pedido mudo, Hiro nada ouve, mas sabe que tem de ajudá-la, que está em perigo e que a sua morte está próxima. Hiro corre para ela, mas quanto mais corre, mais longe lhe parece que está, continua a correr e a correr até que as trevas que envolvem todo o corredor começam a aproximar-se cada vez mais da mulher. Hiro grita, avisa-a da escuridão que se aproxima, mas a sua voz desvanece-se no ar, Hiro continua a correr até que a escuridão abraça a mulher e então nada mais existe a não ser o vazio. Um vazio tão grande e tão silencioso que Hiro nem precisa de mais provas nenhumas para saber que aquele vazio é a morte.

Hiro passa pela área da taberna onde todos os seus companheiros já estão reunidos e fazem planos para a preparação do dia de hoje e discutem o que cada um deve comprar. Ao passar naquela área todos o olham surpreendidos, Ahoy que subia as escadas para ir à sua procura, volta-se para trás e com um sorriso rasgado deixa-o passar e volta a descer para ir comer.

 

2nd Mirtul, 4.00pm

A manhã revelou-se uma autêntica correria, entre fazer efetivamente as compras necessárias de material e equipamento para a viagem, intercaladas com o regateio de preços com os comerciantes e algumas discussões entre nós sobre o melhor material a comprar.

Após terminarmos as compras e arrumarmos todo o equipamento e rações que compramos, e já depois de uma grande refeição na Thundering Lizard partimos em direção ao Templo de Savras.

Há três dias quando o grupo chegou a Port Nyanzaru, e após a reunião com o Merchant Prince Wakanga O’tamu, este indicou ao grupo que poderiam reunir com Father Zitembe, o sacerdote do Templo de Savras ouvia inúmeros rumores e muitas informações chegavam-lhe constantemente.

O Templo de Savras surpreendia pela sua magnitude, o seu tamanho é considerável e tornara-se um ponto de referência na cidade, além disso a sua representação faz jus à divindade que representa.

Ao chegarmos ao templo somos recebidos por um calvo homem, um acólito do Templo, após uma breve introdução ao Templo e aos corretos preceitos no interior do mesmo somos levados pela grande nave em direção a uma pequena sala colateral ao grande altar do Templo. Ao chegarmos à pequena sala, após o toque de um pequeno gongo somos recebidos por uma pequena assembleia de seguidores de Savras, que ladeia um baixo homem com uma simples túnica branca.

- Sentem-se caros amigos! – o homem faz um gesto com a mão apontado para algumas almofadas dispostas pelo chão da pequena sala. – O meu nome é Father Zitembe.

- Caro Father Zitembe. – Ivan falou. – O meu nome é Ivan, este é Kortmorinn, Ahoy, Hiro, e… - e é nesse momento que nos apercebemos que X já não está connosco, pensamos arduamente sobre o momento em que o nosso companheiro nos terá deixado, mas não conseguimos perceber quando nos terá abandonado.

- O vosso companheiro saiu para a cidade assim que chegaram à porta do Templo. Não se preocupem, deve estar tudo bem com ele. – Zitembe fez um gesto tranquilizador com a mão. – Mas digam-me meus caros, o que pode o Templo de Savras fazer por vós?

- Father Zitembe. Fomos incumbidos de uma pertinente missão aqui em Chult. – Hiro olhou em redor para os acólitos ali presentes mostrando alguma desconfiança.

- Podeis falar à vontade Sr. Hiro. Todos os meus acólitos são da minha inteira confiança.

- Syndra Silvane enviou-nos para a península para descobrirmos a origem de um grande mal. A Maldição da Morte. Foi-nos pedido que quebrássemos a maldição e que destruíssemos o artefacto que a criou. Um artefacto que dá pelo nome de Soulmonger.

- É uma missão deveras nobre e para a qual muitas almas já foram perdidas e que muitas mortes se somam cada vez mais em busca do seu sucesso. Espero que semelhante fim não vos alcance.

- Esperamos o mesmo Father Zitembe. – enquanto escuto o que o grupo tem a dizer, vou apontando no meu diário estas novas informações sobre a missão que trouxe a minha companhia a Chult.

- No entanto, precisam de saber mais é isso?

- É sim!

- Muito bem! – Father Zitembe fez um gesto a um dos acólitos que se aproximou do sacerdote e após umas breves palavras sussurradas acercou-se de um pequeno armário de onde tirou um simples e largo disco metálico.

O disco foi pousado sobre uma pequena almofada diante de Zitembe. Dentro do disco foi derramada alguma água e após algumas palavras do sacerdote numa linguagem por mim desconhecida, a água no disco começou a tremer, quase parecendo que se formavam imagens sobre a mesma. Zitembe aproximou-se da mesma e após olhar para as mesmas, os seus olhos rolaram para trás dentro do crânio e o sacerdote caiu para trás desamparado.

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