Depois de refrescante banho no meu quarto da estalagem, ocupei
o patamar superior da taberna, enquanto esperei o momento ideal para abordar os
cavalheiros que se encontram lá em baixo a beber.
Desci as escadas e tomei a mesa junto ao grupo. Fiz sinal para
o balcão e prontamente uma caneca de cerveja foi-me entregue pela jovem
empregada.
- Obrigado Leya!
- De nada Kort! O patrão Luke diz que esta é por conta da casa
e lamenta o ocorrido na corrida de hoje.
- O dinossauro não colaborou muito.
- O patrão sabe disso! Assim que viu o dinossauro recuar ao
som da trompa, foi logo exigir explicações ao criador que lhe vendeu aquele
espécime. Imagino que devem ter tido uma grande discussão.
Assenti e tomei um gole da maravilhosa cerveja. Tendo em conta
que esta foi de graça vou fazê-la durar enquanto aguardo o melhor momento para
finalmente me apresentar a este grupo. Enquanto olho o grupo vejo que estão
apenas três, sei que existe mais um elemento neste grupo, mas que não está aqui.
E pensando bem, também não estava na corrida.
Os três indivíduos que estão à mesa compõem um grupo deveras
estranho, um Aasimar, um Goliath e um Humano que conheci como Ivan, conversam
de forma trivial sobre assuntos mundanos, no entanto por vezes baixam a voz e é
impossível acompanhá-los, não sei que planeiam, mas mais tarde ou mais cedo
farei por conhecê-los e se o seu objetivo os levar para a selva, tentarei
acompanhá-los.
O grupo terminava as bebidas quando tive a grande ideia de
oportunidade. Levantei-me, fui ao balcão e pedi uma nova rodada para mesa
deles, e então, aproveitando a chegada da bebida, apresentei-me.
- Boa tarde caríssimos cavalheiros! Como está a correr a vossa
aventura por estas estranhas terras? – puxei uma cadeira na mesa e sentei-me. –
Permitam que me apresente. Kortmorinn, cartógrafo, arqueólogo e explorador.
Além disso tenho também outros talentos, alguns dos quais já puderam
presenciar.
- Olha se não é o Anão das corridas. Aquele que caiu na grande
pilha de bosta de dinossauro. – O Aasimar troçou mais uma vez do sucedido. - E
ainda por cima não se lavou convenientemente. Mas que cheiro pestilento ainda
traz consigo homem! - o Aasimar mexeu num dos bolsos e retirou uma pequena
pedra branca. – Isto é uma pedra de vómito de baleia, é usada como sabão e o
seu perfume é capaz de durar semanas. Vejo que deseja falar connosco, por isso
se quer ter pelo menos uma hipótese de nos dirigir palavra, não apareça aqui
novamente com esse cheiro.
Sem ter resposta para dar, aceitei a pequena pedra, subi ao
meu quarto e preparei um novo banho. A verdade, é que a pedra era o sabão com
melhor perfume que alguma vez experimentei. Senti-me como se tivesse saído das
grandes, quentes e perfumadas saunas de Hundelstone.
Aproximei-me novamente do grupo e enquanto avançava pela
estalagem, todos se afastavam para me deixar passar. Isto de cheirar bem tem as
suas vantagens.
- Muito obrigado senhor?
- Hiro. O meu nome é Hiro.
- Senhor Hiro, agradeço-lhe muito por aquela pequena dádiva.
Tem um cheiro tremendamente fantástico. Nem diria que a sua origem provinha...
- ...de vómito de baleia. Mas é mesmo assim senhor anão
Kortmorinn! São pedras extremamente comuns e banais das terras de onde venho.
Lá, não toleramos cheiros pestilentos, nem sequer ao mínimo sovaco suado.
- Mas digam-me meus caros. O que vos traz a este sítio remoto
e selvagem? Já estou cá há algum tempo e sei que quem cá vem, não o faz por
mero acaso.
- Viemos numa missão. – o grande Goliath do grupo falou e
assim que o fez foi acotovelado por Ivan, que estava ao seu lado.
- Numa missão? Não me digam que também vão para a selva de
Chult?
- Não sei senhor Kortmorinn, quem também vai para a selva de
Chult? – desta vez, foi Ivan que falou.
- Eu irei caríssimos! E como cartógrafo e estando cá já há
alguns dias, digo-vos que já fui algumas vezes à selva e consegui até esboçar
alguns mapas desta terra.
- Quer então isso dizer que gostava de nos acompanhar? – o
Humano remexeu na bolsa das moedas. – Que me diz a mais uma rodada? – disse
acenando para o balcão.
- Parece-me muito bem. – dito isto, engoli de um trago o resto
da minha cerveja e ansiando por uma nova bebida, levei a mão ao cinto, pronto
para simuladamente tentar pagar a minha bebida.
- Não se apoquente caro Anão, já está pago! – Ivan deixou a
bolsa de moedas em cima da mesa em frente a si. – Mas diga-me que tipo de
negócio o traz a esta Ilha? Já percebeu que nós vimos numa missão. E só aqui
entre nós. – o humano sussurrou. – O destino do mundo depende do nosso sucesso.
- Isso quer dizer que vêm pela perigosa missão dos The
Harpers? A que se relaciona com a Maldição da Morte?
- Sim vimos exatamente por isso. – o Goliath falou novamente
após despejar a sua nova caneca.
- E que sabe o senhor de tal assunto?
- Olhe Mestre Ivan, sei o que muita gente por aqui fala. Que
os The Harpers vão muitas vezes em missões para a selva, que por lá está a
origem dessa tal maldição.
- E você por acaso sabe algo mais sobre isso?
- Não sei mais nada acerca de tal assunto. Mas tenho alguns
mapas e posso acompanhar-vos e guiar-vos quando decidirem partir para a selva.
- Não sei se isso será conveniente. – o estranho elfo que
acompanha o grupo apareceu por fim. – Além do mais nem sabemos quem és. Podes
até querer que esta maldição perdure.
- E o senhor quem é? – virei-me atrapalhado enquanto
acompanhava a chegada deste novo sujeito.
- O meu nome não lhe diz respeito senhor e se quiser insistir,
terei de lho dizer e mudá-lo de seguida.
- É X, o nome dele é X. – O Goliath sussurrou-me aquela
informação. – E eu sou o Ahoy!
- Mas diga-me você. O que o trouxe a Chult?
- Muito bem meus caros, eu vim para Chult em busca de uma
cidade Anã perdida. Consta que se encontra na selva, perdida, desolada,
inabitada. Tenciono descobri-la e recuperar a sua glória e a honra do povo
anão.
- Parece convincente. – Hiro acabou de beber a sua caneca de
leite de dinossauro. – Porventura senhor anão, poderia pagar-me outra caneca
desta maravilhosa bebida?
- Claro terei todo o gosto em fazê-lo Senhor Hiro! – lancei
mão à minha bolsa e descubro que a mesma não está onde deveria estar. Nesse
momento reparo na bolsa que deixara sobre a mesa e percebo por fim que se trata
da minha bolsa. – Mas como?!
- Parece que vai pagar mais uma rodada, senhor Kort. – Ivan
acenou para o balcão e uma nova rodada chegou à mesa, mais uma vez paga por
mim... - Quando se trata de negócios é assim, têm de ser feitos sacrifícios.
Nesse momento um enorme burburinho começou a ouvir-se vindo de
um canto da estalagem.
- Não me digam que... - Hiro levantou a cabeça perscrutando o
que acontecia por lá.
- Sim é isso mesmo. Hoje o famoso Volothamp Geddarm vem aqui à
estalagem vender o seu mais recente livro e além disso, consta que vai assinar
alguns dos volumes. – respondi.
Nesse preciso instante, Hiro levantou-se de um salto e
colocou-se na fila que se começava a formar para poder comprar um dos manuais
do famoso investigador de monstros.

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